Nessa quinta-feira eu tive a oportunidade de assistir Juno, filme do ano passado, muito bem recebido pela crítica especializada e vencedor de muitas premiações como o Oscar (melhor roteiro, para a iniciante Diablo Cody) e o BAFTA Film Awards ( também com melhor roteiro original, para Diablo Cody). O filme tem sido tão elogiado por seu roteiro e pelas atuações, que eu não estava me aguentando de tanta curiosidade.
Ele conta a história de Juno, uma garota de 16 anos que engravida do melhor amigo e decide dar o filho para adoção, uma atitude considerada pelas outras personagens como altruísta e original. Realmente, o roteiro é muito bem escrito e as atuações são muito boas, mas eu não consigo concordar com a idéia principal desse filme. Desde quando abandonar uma criança é uma atitude altruísta? Não há nada mais egoísta do que isso, e o fato dos críticos (e, portanto, a maioria das pessoas) considerarem essa personagem “incrível” realmente me preocupa.
Em uma cena do filme, quando Juno vai conhecer os pais adotivos, eles dizem que querem fazer uma “adoção aberta”, que consistiria em mandar fotos e informações sobre o crescimento da criança com frequência, o que evitaria a possibilidade do filho se sentir rejeitado pela mãe biológica e possibilitaria a ele conhecer e aceitar o fato de ser adotado. Juno, por sua vez, diz que não deseja isso. O que ela quer é ter o bebê e entregá-lo, livrando-se assim de toda e qualquer responsabilidade e mostrando uma frieza e um egoísmo impressionantes. Um dia o rebento vai descobrir que não é filho de quem ele pensa que é, e que sua mãe biológica, na verdade, se livrou dele para poder seguir com sua vida de adolescente como se nada tivesse acontecido, sem se importar se, algum dia, ele se sentiria infeliz com tudo isso e, pior, se sentindo uma pessoa boa e desprendida.
Sério, se isso não for uma atitude egoísta eu não me chamo Beah. Se ela fosse uma garota desinformada, miserável, sem condições financeiras pra criar uma criança, eu até tentaria entender sua atitude. Isso é coisa muito comum no Nordeste brasileiro, onde as pessoas nem falam sobre métodos anti-concepcionais e têm que dar ou vender os filhos para tentar salvá-los da morte. Talvez se ela tivesse abortado, uma outra ocorrência muito comum no Brasil, mesmo sendo ilegal, não tivesse sido tão ruim.
Não que eu defenda o aborto como uma alternativa para uma gravidez indesejada, mas ao meu ver, não é algo tão condenável quanto o abandono. Ninguém supera ser rejeitado pela própria mãe.
Muitos católicos (se não forem todos) devem considerá-la uma pessoa abençoada por não ter feito um aborto, porém eu gostaria que considerassem que a criança vai saber que sua mãe, a pessoa que deveria amá-la mais que qualquer outra, resolveu se livrar dela para que não mudasse seu estilo de vida. Eu posso entender pouco do assunto e talez eu esteja falando besteira, mas essa não é uma atitude cristã, certo?
Enfim, o filme é bem feito, mas deve ser assistido com um olhar crítico e não achando tudo lindo e maravilhoso como os críticos dizem. A trilha sonora é realmente muito boa e inclui de Cat Power a Velvet Underground o que, sem dúvida, é ótimo. Assistam ao filme, pensem a respeito do que eu disse e se quiserem, me escrevam contando as suas impressões. E bom filme pra vocês.
Escrito por Beah
Escrito por Beah
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